Qual a motivação para criar o Projeto CINEHORROR e quantos membros o próprio possue?
R: Sempre tive o grande sonho de
conseguir um espaço para exibir o outro lado do cinema em público e de
quebra reunir esse pessoal freak que só se conhece por orkut. O
Cinehorror nasceu com um só organizador. Da primeira edição eu dei conta
sozinho, da segunda nem tanto, da terceira me fugiu totalmente o
controle, que me levou a organizar um coletivo que hoje deve ter 5
membros contando comigo.
Já faz tempo que você tem essa empatia com o cinema alternativo ou foi uma daquelas "erupções espontâneas" de criatividade?
R: Eu sempre gostei de cinema
horror. Dediquei boa parte do tempo à maioria dos clássicos e ao horror
de cinema. Com o tempo ouvi falar de Cannibal Holocaust, que me levou ao
circuito exploitation italiano e que me levou ao Toxic Avenger. Quando
cheguei no Toxic Avenger não podia mais passar perto de filmes normais, e
viva o cinema feito com mais culhões do que com grana! Minha vida seria
bem mais chata e menos inspirada se eu não conhecesse Lloyd Kaufman,
Jess Franco, Russ Meyer e tantos outros.
O Espaço Impróprio sempre foi um lugar para
expôr o underground em todas as suas vertentes ou houve alguma
"conversação" para encaixar o seu projeto?
R: O Espaço Impróprio é
underground antes mesmo de qualquer esboço de Cinehorror. O pessoal de
lá é bastante libertário, eles têm uma cabeça muito aberta. Lá sempre
rolou shows e eventos do submundo, eles ensaiavam uma idéia de cinema
livre que ainda estava engatinhando. Quando eu cheguei com o meu
projeto, fizemos a parceria perfeita.
Uma coisa que notei no local foi a total
harmonia do trash-gore com o movimento vegan. Sempre foi assim ou já
surgiram algumas discussões entre os grupos?
R: Nunca surgiu nenhum tipo de
discussão, até porque, não tem nem motivo pra isso. Se você for vegan ou
mesmo que não seja, mas estiver aconchegado, come o rango de lá, que é
gostoso pra caralho! Se não quiser comer rango vegan, é só sair e comer
um espetinho de rua na Augusta, é pertinho, não tem nenhum conflito. As
vezes tem um ou outro que fala merda por alto, mas se algum
cabeça-de-bagre levantasse esta questão pra valer, mereceria um
esculacho.
Você já trabalhou a idéia de exibir um
pouco do que rola no cinema-gore underground anteriormente ou o Espaço
Impróprio foi o seu "debut"?
R: Foi como eu disse antes,
sempre quis exibir as bagaceiras em público, mas só conseguia fazer
pequenas sessões regadas à cerveja e sangreira na minha casa. O legal,
algo que eu não tinha imaginado, é que as sessões são como as que eu
fazia em casa, só que agora tem muito mais sangreira, muito mais cerveja
e muito mais gente!
Existe a possibilidade de transformar o CINEHORROR em algo mais amplo ou "em time que está ganhando não se mexe"?
R: Existe e inclusive quero que
isso aconteça, só precisa estruturar mais a coisa toda. Ainda estamos
engatinhando, talvez o Cinehorror continue igual, mas quem sabe eu, ou
qualquer pessoa impulsionada por este recomeço, não decida fazer algo
maior?
Nos fale sobre os pontos altos e baixos do
projeto até agora? Como é administrar uma coisa que, na verdade, você
gostaria de estar participando?
R: O ponto alto do Cinehorror é o
acesso a raridades do cinema e a pessoas que gostam das mesmas coisas
que você, tudo num espírito de liberdade atípico. O ponto baixo é a
estrutura, sai legal, mas não do jeito que eu realmente queria, muita
coisa tem de ser improvisada por falta de grana. Administrar o evento é
maravilhoso, porque é tudo na verdade uma grande festa, com gente
fumando charuto, bebendo cerveja, dando risadas e etc. Foi por querer
participar da festa e precisar dar suporte para que o evento role como
programado ao mesmo tempo, que eu organizei o coletivo, porque em festa
eu não costumo ser um exemplo a seguir.
E falando em pontos baixos...Como foi
recebida a intervenção da Polícia Militar no CINEHORROR 3? Figuras
conhecidas como Liz Vamp e Rubens Mello ainda estavam presentes no
local?
R: Eu não vou dar nenhum
discurso anti-polícia porque é foda, mas é claro que os gambés foram
muito mal recebidos. Não houve nem a possibilidade de fazermos acordo, a
vizinhança acionou a polícia por causa do barulho, e os caras
apareceram pra foder mesmo. Ou fechava a casa, ou pagava uma indenização
de 25 mil pilas! Liz e Rubens ainda estavam por lá, tanto que fizeram
de tudo pra tentar um acordo, mas não houve. Lamentável, mas já é página
virada.
Falemos agora de Peter Baiestorf...como foi
trabalhar com essa figura que possue a fama de ser temperamental e
expontânea ao extremo?
R: É muito foda trabalhar com um
cara que você admira. Se falasse sobre, acabaria lambendo o saco pra
caralho e nem perceberia! O Petter é um cara genial, uma figura que
inspira muitas coisas com a garra que tem. Com certeza trabalharemos
juntos novamente.
Além de exibir e promover bandas, curtas e longas do circuito alternativo você se dedica a outros exercícios?
R: Eu sempre tive bandas que vão
aos trancos e barrancos e agora estou começando a realizar o meu
primeiro filme. Precisa ter uma determinação forte pra não largar tudo. O
preconceito é grande, a viabilidade financeira também. Todos que mexem
com cultura underground, seja música, cinema, desenho ou qualquer coisa,
precisa ser não é nem guerreiro, é guerrilheiro!
Qual é a meta original do CINEHORROR?
R: É levar ao público o cinema obscuro num clima descontraído, sem aquele ar blasé.
Obrigado por dispensar o seu tempo para
ceder esta entrevista e quero que saiba que o Suburbia Horror Show
estará aberto para qualquer projeto, ok?
R: Meu tempo foi muito bem
aproveitado, fico feliz em ter este espaço pra falar do projeto e fico
ainda mais feliz em saber que tem gente interessada e lutando por este
submundo da cultura do qual fazemos parte. Muita força pra vocês, gostei
pra caralho! Obrigado.


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