Desde quando você "trabalha o Horror" no Boca do Inferno?
ROSATTI: O site existe desde
Maio de 2001, mas eu entrei na equipe de colaboradores em meados de
2002, e desde então tenho uma grande quantidade de textos, entre artigos
e resenhas de cinema publicados (são mais de 400...).
Como é levar profissionalmente o cinema fantástico num país onde o gênero horror é visto como má influência?
ROSATTI: Acho que o gênero
Horror é visto como “má influência” em qualquer lugar do mundo, não só
no Brasil. É difícil trabalhar com o gênero, não há dúvida, uma vez que
queremos realizar um trabalho sério (Horror é apenas mais uma expressão
de arte) e existe grande quantidade de preconceito e obstáculos que
incomodam. Ao divulgar e produzir Horror, não estamos fazendo apologia à
violência e sim apenas ao divertimento, e essa idéia muitas vezes não é
compreendida pelo público comum.
Antes de se associar ao site, qual era sua ocupação no circuito alternativo?
ROSATTI: Antes de 2002 já atuava
na cena underground desde 1988, na co-edição do lendário fanzine
“Megalon”, junto com o amigo de longa data Marcello Simão Branco.
Depois, em 1991, lancei o “Juvenatrix”, fanzine de Horror e Ficção
Científica há 18 anos em atividade, com 113 edições no momento e mais de
3.000 páginas publicadas. Já fui também co-organizador da “HorrorCon”,
lendária convenção de horror que acontecia anualmente em São Paulo nos
anos 90.
RHB - De acordo com a lenda, o "Boca do
Inferno" é a página sobre cinema de horror mais acessada da América
Latina... você desmente ou confirma esta questão?
ROSATTI: O site “Boca do
Inferno.Com” é o portal mais completo com informações sobre Horror e
mais visitado da internet brasileira, e talvez da América Latina. Para
conferir, analisem a quantidade de textos de cinema (artigos e resenhas)
escrito exclusivamente por colaboradores, além de contos e outros
materiais interessantes sobre o gênero.
O que você tem a dizer sobre a nova geração do horror no cinema ou dos quadrinhos?
ROSATTI: Poucos têm sido os
filmes de horror produzidos na atualidade que tenho apreciado. Estão
faltando novas idéias aos executivos da indústria de cinema, que ao
terem como objetivo unicamente o lucro, estão deixando de lado a
qualidade de uma boa história. Por isso, temos a produção de tantas
refilmagens e a utilização sem controle de clichês exaustivos que
prejudicam o entretenimento num filme de horror. Mas, por sorte, ainda
temos alguns exemplos que dignificam o gênero como “Encarnação do
Demônio”, “REC” e “O Nevoeiro”, citando apenas filmes que foram lançados
nos cinemas brasileiros em 2008.
Todo o material exposto é enviado pelos colaboradores ou o site possue um arquivo próprio sobre o cinema de horror?
ROSATTI: O site recebe os textos
de cinema (artigos e resenhas) dos colaboradores, mas a maioria das
notícias sobre as produções em andamento, coleta de fotos e outros
materiais são pesquisados pelo webmaster Marcelo Milici (que também
recebe a ajuda eventual de colaboradores).
Quanto a revista "Boca do Inferno.com". Qual é a sua expectativa de produção e como funciona o controle do que é publicado?
ROSATTI: A tiragem é pequena,
pois não há distribuição profissional. É mais um trabalho de idealismo
de uma publicação amadora, mas dentro das possibilidades e recursos
disponíveis, a produção da revista é ótima, com capas coloridas e papel
de qualidade. O controle do material publicado é de responsabilidade do
José Salles, patrocinador da revista e responsável pela editora “Júpiter
II”, parceira do site “Boca do Inferno.Com” nesse projeto, que já está
na 3ª edição.
De uns dois anos pra cá o gênero HORROR
pareceu ganhar um espaço maior. Novos eventos, grupos e páginas são
lançados e pequenas editoras começam a abrir as portas. Como você
enxerga esta aproximação?
ROSATTI: O mundo não pára, e
inevitavelmente também o gênero Horror está ganhando novos fãs a todo
tempo, aumentando a legião de seguidores. Isso obrigatoriamente
impulsiona o crescimento do gênero de uma forma geral. Surgem mais
eventos, lançamentos de livros, produção de filmes, e a internet também
ajuda na divulgação com a criação de sites, blogs e comunidades para
todos os lados. Obviamente isso tudo deve ser encarado como algo
interessante, mas acho que não extrapola a normalidade, ou seja, o
gênero está crescendo como tudo no mundo, não existe nada em especial.
Agora uma pergunta um tanto pessoal...Como é
ser um "Mestre Infernauta" na sua respectiva profissão? Você conversa
sobre seus gôstos no ambiente de trabalho?
ROSATTI: Como já abordado numa
das perguntas anteriores, o “Horror” não é um gênero para o público
comum. Então, no meu caso específico, não é prudente expor meus gostos
pessoais no ambiente de trabalho, a não ser que encontre alguém com
pensamento similar.
Uma pergunta crucial. Você já assistiu todos os filmes postados no site Boca do Inferno?
ROSATTI: Certamente que não. A
quantidade de filmes abordados no site é imensa e muitos deles são de
difícil acesso. Eu tenho o costume de anotar numa lista os nomes de
todos os filmes que assisti na vida. São cerca de 1500 filmes de Horror e
Ficção Científica, sendo que muitos deles não foram analisados no site e
existem outros tantos analisados por colegas colaboradores e que não vi
até hoje.
Ainda sobre filmes.. .o que você acha das
produções independentes de horror que voltaram a surgir e quais as
críticas sobre as mesmas?
ROSATTI: Como mencionei
anteriormente, o gênero Horror vem crescendo inevitavelmente, e com isso
também a produção de filmes independentes. Com a facilidade dos tempos
modernos, os fãs tem tido acesso a produzirem seus próprios filmes. Eu
admiro muito o trabalho idealista de se fazer um filme, independente do
resultado final, onde muitos filmes esbarram em histórias repletas de
clichês e efeitos exageradamente toscos. Porém, ainda assim surgem obras
muito interessantes como por exemplo o capixaba “Mangue Negro”, o
mineiro “Era dos Mortos” e o brasiliense “A Capital dos Mortos”.
Você tem algum projeto para lançar novos trabalhos voltados ao Terror?
ROSATTI: Sinceramente, meu tempo
livre está muito reduzido, e esse pouco tempo ainda tem que ser
dividido entre outras coisas, para ver filmes, ler livros, escrever
textos de cinema, editar o fanzine “Juvenatrix” e o blog
“Infernotícias”, que não penso em nada em especial para novos projetos.
Se conseguir manter essa produção, já estou satisfeito.
Muito obrigado pelo tempo dispensado à esta
entrevista. Espero que a aliança entre a Suburbia Horror Show e o Boca
do Inferno reforce-se cada vez mais nesta árdua trilha que é o
underground.
ROSATTI: Conheço vocês há muito
tempo e sei do idealismo de vocês. Admiro o grande trabalho sempre
realizado. Sucesso para todos nós e continuemos juntos espalhando o
Horror e manchando com o vermelho do sangue a tela dos computadores dos
leitores...

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