segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Entrevista: Joshua Hoffine


PGB - Primeiramente gostaria de salientar que é uma honra estar realizando esta entrevista com você.
JH:
O prazer é todo meu - obrigado pelo espaço.

PGB - A fotografia foi pra você uma "válvula de escape" ou surgiu como uma necessidade profissional?
JH:
Eu comecei fazendo fotografias logo depois de formado na universidade. Naquela época, eu ainda estava tentando descobrir o que eu queria da vida. A fotografia mudou tudo para mim. Ofereceu-me, não só um trabalho, mas um caminho. As vezes ganho dinheiro, as vezes não, mas a fotografia sempre centralizou na minha vida tudo o que tenho de bom.

PGB - E sobre o horror? Conte-nos como foi o seu primeiro contato com esse sentimento ancestral.
JH:
Eu me lembro que começou na minha infância e dos receios do monstro escondido debaixo da cama. Mais tarde, como uma criança mais velha, fiquei preocupado com os filmes de Horror que iriam passar na TV nas tarde de sexta-feira e no sábado, à noite.

PGB - Os padrões para a iluminação de seus trabalhos são incríveis. Existe um planejamento geral antes de todo trabalho ou o clima essencial surge no momento?
JH: Tudo é cuidadosamente planejado. Se eu precisar de um certo tipo de clima, como fiz com a fotografia "Candy", que foi produzida ao ar livre, eu vou esperar por ele.

PGB - Você utiliza em seus trabalhos outros recursos tecnológicos como o Photoshop, por exemplo?
JH:
Fotografia é uma técnica mediana. Eu prefiro usar câmeras digitais pois assim posso seguir as pegadas do que estou criando. Sobre utilizar o Photoshop eu o uso somente para me certificar que tudo esteja perfeito antes de imprimir. Prefiro uma boa impressora à tradicional sala escura. Passei vários anos dominando as técnicas da sala. Trata-se de um laborioso processo que além de lento, sem dúvida tem sua vida útil avariada pela química.

PGB - Em "After Dark, My Sweet" o tema requerente é o do "Terror Infantil" e as crianças conseguem transmitir esse sentimento com a mesma maestria com que Lovecraft descreve suas míticas criaturas. Elas são atores profissionais?
JH: Eu não uso atores profissionais. Apenas alguns familiares e amigos. As crianças nas fotos de "AFTER DARK, MY SWEET" são as minhas filhas. Todo mundo no meu set está lá porque querem estar lá, não porque eles estão sendo pagos. Minhas fotografias são "produtos do amor".

PGB - Na minha opinião as fotos "Bed", "Closed" e "Swarm" são as mais impactantes. Você é responsável pela produção das criaturas?
JH: Eu faço coisas diferentes para diferentes imagens. Eu uso manequins, coisas empalhadas, adereços que encontrei on-line, e as coisas que eu mesmo consiga fazer sozinho. As mãos embaixo da cama eram de uma fantasia que eu comprei no dia seguinte ao do Halloween. Fiz o monstro em "Closet" e fiz a maquiagem para o trabalho "Swarm".

PGB - Toda a atmosfera de "After Dark, My Sweet" nos remete aos anos 50, um período marcado pelo macartismo e a evolução da imagem. Existe algum atributo ideológico nisto?
JH: Olhando para trás, para a América, a década de 50 foi um período de relativa inocência. Quero acionar essa nostalgia, esse sentimento atemporal, em meus trabalhos.

PGB - Como você distribue seu trabalho atualmente? JH: Através do meu site. Não tenho galeria, nenhum agente e nenhuma representação.

PGB - O lançamento da segunda parte de "After Dark, My Sweet" e os projetos "The Grand Gignol" e "The Culture of Fear" já tem previsão de lançamento?
JH: "AFTER DARK, MY SWEET" continuará a ser o meu foco principal, pelo menos, nos próximos 2 anos. Quero que a série seja suficientemente longa para poder publicá-la como um livro.

PGB - Quais as inspirações cinematográficas de Joshua Hoffine?
JH:
"EVIL DEAD 2" e "THE MASK OF SATAN", de Mario Bava. Assustadoras histórias para se contar no escuro.

PGB - O movimento do gênero Horror está crescendo novamente aqui no Brasil. Temos tido o retorno de grandes ícones como José Mojica Marins (Zé do Caixão) e profissionais alternativos como Dennison Ramalho, Rodrigo Aragão e Rubens Mello. Existe a possibilidade de Joshua Hoffine aparecer por terras brasileiras?
JH: Se eu pudesse mostrar um livro, eu adoraria. Eu tenho obtido um grande interesse e apoio vindos do Brasil.

PGB - Muito obrigado pelo tempo dispensado. Nós nos sentimos realmente lisongeados em entrevistar um profissional que lida com o horror com o devido respeito que ele merece.
JH
: Obrigado pelo interesse.

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